Garotas Makers IV – Parte I

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Garotas Makers IV – Parte I

Olá pessoal! Hoje vamos estrear a 4ª temporada da série Garotas Makers com uma menina muito especial pra mim (minha amiga \o/) e que tem uma história pra lá de legal, misturando a arte de ser Maker com engenharia Biomédica!

Bruna Maria dos Santos tem 21 anos recém completados, nasceu em São José dos Campos – SP mas mora desde criança em Jacareí, cidade vizinha. Ela fez curso Técnico em Meio Ambiente na ETEC Cônego José Bento de Jacareí, formada em Ciência e Tecnologia e atualmente é aluna do Curso Engenharia Biomédica, ambos pela UNIFESP São José dos Campos.

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Figura 1 – Bruna Santos (Arquivo pessoal Bruna Santos)

No curso técnico em 2012, Bruna fez seu trabalho de Conclusão de curso envolvendo reciclagem de materiais como isopor com compostos orgânicos. Isto foi motivador para seguir a área de Engenharia de Materiais.

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Figura 2 – Bruna e sua colega de TCC Gabriela Frias, do Curso técnico, fazendo experimentos com isopor e compostos (Fonte: Arquivo pessoal Bruna Santos)

Porém, ao ingressar na UNIFESP de São José dos Campos em 2013, ela se descobriu em Engenharia Biomédica, que consiste em aplicar Engenharia em áreas como diagnóstico e tratamento, como desenvolvimento de equipamentos e software para análise de imagens e sinais. Na UNIFESP a entrada é unificada, seguindo uma tendência chamada de Ensino Interdisciplinar. Todos fazem o bacharelado em Ciência e Tecnologia, após isto o aluno escolhe as matérias do curso que preferiu. Bruna explica: “…O diferencial está na interdisciplinaridade realmente, temos matérias de humanas, química, computação e biologia, por exemplo, que nem todos os cursos de grade regular têm, além do curso permitir que nós peguemos quantas matérias quisermos e de que curso quisermos. Depois de três anos, se cumprida a carga horária, nos formamos no Bacharelado, e entramos no especifico, mas já estudamos as matérias do curso especifico no Bacharelado mesmo”. Para quem quiser mais detalhes do curso, acessem aqui o vídeo.

Durante o bacharelado, Bruna fez uma iniciação científica no grupo de Biomecânica na área de próteses e órteses. Lá, ela modificava modelos existentes para eliminar encaixes e reduzir atrito, analisava a impressão 3D se estava de acordo com o modelo digital. Isto lhe resultou em participações em eventos como Campus Party, três congressos e uma prótese para um garoto que nasceu com má formação em seu antebraço.

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Figura 3 – Bruna na 8ª Edição da Campus Party, em 2015 (Fonte: Arquivo Pessoal Bruna Santos)

A prótese que Bruna trabalhou chama-se RIT-Arm, modelada originalmente pela ONG E-nable: “…é destinada a pessoas com articulação de cotovelo, por onde se aciona o abrir e fechar da mão protética. Esta prótese era modificada digitalmente e, por meio de uma impressora 3D, virava realidade”. O menino que ganhou a prótese participou de uma reportagem no Jornal Nacional, da Rede Globo. Confira:

http://globoplay.globo.com/v/4594014/

Durante o período mexendo com próteses e impressoras 3D, Bruna conheceu a plataforma Arduino. A primeira placa ela ganhou de um amigo antigo, e começou a brincar com projetos simples. Nisto ela percebeu as diferenças da teoria com a prática: “…fazendo projetos simples, comecei a ter ideia, na prática de toda aquela teoria que por vezes nem fazia muito sentido, e tive que procurar meios de resolver meus próprios problemas de bancada, aprendi que nem tudo é tão perfeito quanto na teoria e isso era o que me fascinava”.

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Figura 4 – Bruna “brincando” com a prótese 3D (Fonte: Arquivo pessoal Bruna Santos)

Bruna procurou saber sobre o chamado Movimento Maker e se incluiu como uma hobbista (ela disse que foi sem querer, eu discordo hahaha). Ela visitava frequentemente a oficina do seu tio Célio para utilizar as ferramentas que tinha e foi motivada por ele a continuar usando a plataforma Arduino. A cada projeto, por mais simples que fosse, ele sempre vibrava e incentivava Bruna a prosseguir: “…sempre foi um incentivador sem igual. Me incentivou a soldar meus próprios componentes, propunha desafios e ajudava como podia…”. Além de seu tio, Bruna também foi motivada por sua mãe, que lhe presenteava com componentes eletrônicos e ferramentas: “Meu primeiro ferro de solda, alicates, multímetro, visitas a lojas de componentes e eles, indiretamente, me incentivaram a ter minha pequena bancada de eletrônica”.

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Figura 5 – Bancada com Arduino e componentes eletrônicos de Bruna (Fonte: Arquivo pessoal Bruna Santos)

Em novembro de 2015, Bruna participou da TOM, que é um evento onde se reúnem profissionais das diversas áreas de engenharia e medicina para reabilitação. Ela expôs o seu trabalho com próteses. Aqui temos um vídeo sobre os trabalhos expostos neste evento. Bruna também participou do Programa Ideias e Invenções, video aqui (a partir dos 15 min).

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Figura 6 – Bruna e o menino que recebeu a prótese desenvolvida por ela, na TOM 2015 (Fonte: Arquivo pessoal Bruna Santos)

Bruna completou o bacharelado em Ciência e Tecnologia, que é a primeira etapa da Engenharia da UNIFESP no fim de 2015 e hoje cursa oficialmente Engenharia Biomédica. Porém, por estar num campus de exatas, ainda enfrenta discriminação de gênero: “…ouvi de professores que o campus deveria ter mais cursos de pedagogia e odontologia para aumentar o número de saias curtas. Ou também que ciência não é lugar de mulher. Faço questão de continuar na engenharia e sendo o melhor que posso ser, pegando impulso em cada comentário destes que recebo. Descobri, dentro da engenharia biomédica a área que mais me identifico e hoje, faço pesquisa em engenharia clínica, que seria a engenharia biomédica aplicada a hospitais, relacionado a todo o tipo de cuidado com equipamentos médicos, estudo novas formas de gerenciamento de manutenção de tecnologias para que o impacto seja o menor possível num hospital no caso de falhas ou erros”.

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Figura 7 – Bruna em sua formatura do Bacharelado em Ciência e Tecnologia, final de 2015 (Fonte: Arquivo pessoal Bruna Santos)

Ela conta que se sente crescendo como hobbista e encara situações reais em hospitais, com isto já se sente uma engenheira de fato. Em uma das disciplinas de seu curso, ela fez um eletrocardiografo, e seu lado hobbista fez toda diferença: “…todo o conhecimento de arduino e eletrônica me fez total diferença para compreensão e resolução de problemas”.

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Figura 8 – Bruna estudando eletrônica digital com Arduino (Fonte: Arquivo pessoal Bruna Santos)

Bruna diz que vê mulheres incríveis neste universo e as motiva de sua maneira: “…tento, do meu modo, dar valor a cada uma delas, professoras, colegas e hobbistas como eu. Nós mulheres, temos que conquistar nosso espaço e mostrar que a eletrônica, a física, a programação e a “mão na massa” são coisas de menininha, sim! Dá para ter as unhas pintadas de vermelho e os dedos cheios de graxa. Mas eles só saberão se continuarmos sendo quem somos, e lutando para ser cada vez melhores”.

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Figura 9 – Bruna com robozinho na Feira Hospitalar 2016 (Fonte: Arquivo pessoal Bruna Santos)

Eu me senti muito inspirada ao contar sobre a trajetória da Bruna aqui nesta série (eu não sabia de tudo isso que ela faz rsrs). Usar a tecnologia para fazer o bem à pessoas com deficiência é algo muito mais que legal, é nobre! Espero ser como a Bruna quando “crescer” (risos). Creio que você, mulher ou homem, se sentiu motivado para ser um maker. Mesmo que não faça algo como uma prótese, mas qualquer projeto, por menor que seja, se for para ajudar alguém, é de grande valia. Invente, estude, faça, ponha a mão na massa!

Aguardem as próximas histórias que estão por vir nesta quarta temporada, aqui no Embarcados Innovation, série Garotas Makers!

By | 2017-01-27T23:08:01+00:00 julho 13th, 2016|Artigos|0 Comments

About the Author:

Mestranda em Automação e Controle de Processos, Engenheira de Controle e Automação, Técnica em Automação Industrial, ambos pelo IFSP. Atualmente trabalha como Montadora na Tudela Indústria. Pesquisadora no LABORE (Laboratório de Robótica e Reabilitação do IFSP). Hobbista e Maker, se interessou por Arduino desde 2013, e realizou projetos na área de Wearables voltados para entretenimento. Já realizou palestras e mini cursos em eventos de IoT, Arduino e Tecnologia, no RJ, PE, SP, DF, RS, CE, SC e GO. Articulista do Portal Embarcados, redige artigos sobre Arduino e mulheres na tecnologia. Fã de Angry Birds :D

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