Garotas Makers III – parte 2

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Garotas Makers III – parte 2

Hoje vamos falar sobre uma garota maker que enfrentou os comentários ‘maldosos’ por colegas porque é mulher, mas não desistiu de seus objetivos. Infelizmente ainda é comum neste meio, esperamos que coisas como esta sejam extintas e para as que ouvem isto, seja uma motivação maior para prosseguir.

Jordane Gabriella Soares de Oliveira Pires tem 19 anos, mora em Goianira-GO e foi discente do IFG – Campus Inhumas como Técnica em Informática e possui um enorme desejo em ser Engenheira de Software.

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Figura 1 – Jordane Gabriella (Fonte: Facebook Jordane Gabriella)

Seu interesse na área de informática foi em um projeto para a Feira de Ciências e Tecnologia do Instituto Federal na área de Redes de Sensores sem fio, em meados de 2013. Anteriormente, Jordane achava que a informática não era para ela e que faria o curso de Designer em Moda. Porém, sempre houve o interesse em saber como as coisas funcionavam por trás de computadores e smartphones.

Quem lhe trouxe a motivação para prosseguir no curso foi o orientador do projeto, Me. Leandro Alexandre Freitas: “…foi a alavanca para que eu realmente começasse a gostar do curso que eu estava fazendo. Me incentivando durante as aulas e durante o projeto para a feira de ciências, no entanto, infelizmente não participamos do mesmo por motivos pessoais, na época.”

Jordane continuou estudando e se dedicando ao curso, porém, enfrentou ‘piadinhas’ (de mau gosto, grifo meu) de colegas de turma por ter reprovado na matéria Algoritmo I: “Muitos diziam ”Você não passou em ATP, por que vai passar nas outras matérias do segundo ano? Tem POO (Programação Orientada a Objetos) e você acha que passa? A sala toda praticamente passou em ATP, menos você.””

Isto causou muita tristeza e até mesmo vontade de desistir em Jordane. Por alguns momentos, ela estava em casa e sentia raiva de alguns colegas e chegou a chorar algumas vezes. Porém, ela teve ajuda de pouquíssimos colegas, que lhe ajudaram a enfrentar esta fase difícil de cabeça erguida. E conforme os dias passaram, suas notas que eram baixas, foram crescendo ao ponto de conseguir 8,0 e até 10.0! E ela complementa: “Eu havia passado na dependência e na matéria mais complicada do curso naquele ano, POO. E com uma média muito boa \o/. O interessante, é que a maioria da minha turma havia reprovado essa matéria, POO. Veja só as voltas que a vida dá. É preciso persistir! É preciso desafiar a si mesmo! Provar que você é bom para você!”

Além das matérias do curso, Jordane fazia iniciação científica com o mesmo orientador, Leandro. O tema: “Uma arquitetura de coleta de dados para Redes de Sensores Sem fio e detecção de incêndios em áreas ambientais”. Faria a distribuição de sensores pela região de floresta e área ambiental e teria uma baterial de vida útil maior.

No último ano no IFG, Jordane apresentou os resultados obtidos do seu projeto, um protótipo de tempo de vida de uma bateria feito em C++. Ela precisou se desdobrar para aprender C e mecatrônica para utilizar a plataforma Arduino. Outro ponto importante foi a utilização de framework de algoritmos Sinalgo, feito em Java. Seu projeto foi apresentado em eventos do IFG e em um destes ela recebeu o prêmio de melhor projeto no SECITEC (Semana de Ciência e Tecnologia do IF) do IFG – Inhumas, que inclusive concorreu com alunos do ensino superior.

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Figura 2 – Jordane e seu orientador, Prof.Me Leandro (Fonte: Arquivo pessoal Jordane Gabriella)

Jordane viajou para Luziania-GO e fez apresentação do projeto final no IFG Campus Luziania, que recebeu muitos elogios. Além disso, e recebeu convite de um professor para realizar projetos quando ingressar no curso de Engenharia de Software pela UFG.

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Figura 3 – Jordane no IFG de Luziania (GO) (Fonte: Arquivo pessoal Jordane Gabriella)

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Figura 4- Jordane se apresentando no IFG Luziania (Fonte: Arquivo Pessoal Jordane Gabriella)

No IFG Campus Inhumas, Jordane se recorda de muitas coisas boas, como por exemplo, o primeiro lugar na Maratona de Informática com outros dois colegas de sala. Após a maratona, ela ainda ouviu comentários maldosos: “…os moços de turmas superiores a nossa não se conformaram e até soltaram alguns comentários ofensivos, como por exemplo, ”Só ganhou porque tinha fulano X e Y na equipe.”; “Foi fácil porque ela é mulher”; ”Não sabe programar não, só ganhou pq tinha mais gente na equipe.”; aos que disseram isso, hoje eu falo muito obrigada, por que é por pessoas assim que eu quero e vou conseguir mais prêmios”.

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Figura 5 – Jordane e seus colegas após a Maratona no IFG (Fonte: Arquivo pessoal Jordane Gabriella)

No momento das ofensas, ela ficou muito chateada, mas hoje encara isso como babaquice. Assim como todos, ela se dedicou e estudou para conquistar seu espaço. Porém, por problemas pessoais, ela não pode concluir seu curso técnico.

Recentemente, Jordane se apresentou em uma palestra e mini curso no FLISOL, em Goiânia, juntamente com seus parceiros de equipe, Gustavo Henrique e Gustavo Alves (vide figura 6). Lá, ela teve uma experiência desagradável: “…de nós 3 que apresentamos, só eu que mexo com programação e eles queriam saber a respeito mas não perguntavam pra mim, falavam com os Gustavos, e eles diziam ”mas isso é com a Jordane, você pode perguntar a ela” então eles ignoravam”.

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Figura 6 – Jordane e seus colegas Gustavo Henrique e Gustavo Alves (Fonte: Arquivo pessoal Jordane Gabriella)

No FLISOL, Jordane relata um caso muito sério ocorrido durante o evento: “…eu ia na mesa pra falar do conteúdo, eu abaixava e via que tinha os caras me olhando por trás. Foi o primeiro contato com o mundo de TI após sair do IFG. Eu não consegui apresentar minha palestra a tarde. Eu fui fraca, me arrependo…eu fiquei muito baqueada, eles me marcaram…falaram que iam estar lá pra ver se eu sabia mesmo. Na hora me deu uma coisa ruim, uma sensação horrível, eu não queria falar pros meus dois amigos, aí depois não consegui me conter, eu chorei e não quis me apresentar mais. Foi horrível”.

Ela prestou pra uma universidade do Paraná, mas não pode realizar a matrícula: “Passei para uma universidade considerada de peso, para Ciência da computação, a Universidade Federal do Paraná, no vestibular separado de duas fases. Contudo, obtive problemas na matricula, para ingressar.”

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Figura 7 – Jordane em frente à Universidade do Paraná (Fonte: Arquivo pessoal Jordane Gabriella)

Atualmente, ela realiza um trabalho voluntário como developer de softwares de Games na Startup Le Pétit e é free lancer nas horas vagas. Se interessa por computação Ubíqua, Jogos digitais, Redes de Sensores Sem Fio e sistemas embarcados. Estuda novas técnicas e linguagem de programação, e se prepara para ingressar no curso de Engenharia de Software na UFG.

E ao final, ela deixa um recadinho: “Na oportunidade, agradeço a comunidade do IFG-Campus Inhumas, aos meus professores e principalmente ao meu orientador e alguns colegas/amigos muito próximos. As moças que desejam entrar nesse universo agora, desejo boa sorte e sejam bem-vindas! Não é um caminho fácil e persistir é preciso. A informática é linda e muito ampla! Existe espaço para todos os tipos de pessoas. Saber ler um código é um habilidade básica, atualmente. Portanto, não tenha medo, e aproveite o mundo binário, o mundo do café”.

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Figura 8 – Certificado e apresentação de Jordane (Fonte: Arquivo pessoal Jordane Gabriella)

Confesso que fiquei muito surpresa ao conhecer essa história da Jordane. A maioria das mulheres já deve ter passado por coisas semelhantes. Mas ela não vai parar por aqui, assim como nenhuma de nós deve desistir por causa de “babacas” como estes que ela conheceu. Não desistam com brincadeiras de mau gosto, por notas baixas e até por auto estima baixa. Prossigam e terão muito sucesso. Jordane está no início da sua trajetória e essas experiências sejam pra fortalece-la. Ser mulher é ter a sensibilidade de uma flor e ser forte como uma águia, que vai voar muito alto, e ficamos aqui na expectativa de ver Jordane decolando!

Em breve outras histórias de garotas tão fortes e ao mesmo tempo sensíveis como Jordane! Aguardem!

By | 2017-01-27T23:08:01+00:00 junho 20th, 2016|Artigos|9 Comments

About the Author:

Mestranda em Automação e Controle de Processos, Engenheira de Controle e Automação, Técnica em Automação Industrial, ambos pelo IFSP. Atualmente trabalha como Montadora na Tudela Indústria. Pesquisadora no LABORE (Laboratório de Robótica e Reabilitação do IFSP). Hobbista e Maker, se interessou por Arduino desde 2013, e realizou projetos na área de Wearables voltados para entretenimento. Já realizou palestras e mini cursos em eventos de IoT, Arduino e Tecnologia, no RJ, PE, SP, DF, RS, CE, SC e GO. Articulista do Portal Embarcados, redige artigos sobre Arduino e mulheres na tecnologia. Fã de Angry Birds :D

  • Alisson

    Parabéns por todas realizações Jornade. Um exemplo a ser seguido. Sucesso sempre. Abraço. Alisson

    • Jordane Gabriella

      Olá, Alisson! Muito obrigada! Abraços. 😀

  • Oscar Eli

    Parabéns moça, alem de linda e brilhante!!! Na história da humanidade e na ciência já foi mais do que provado o valor das mulheres que de sexo frágil não tem nada! Espero que se torne uma grande cientista da computação como sei que será!!! Força, foco e fé…

    • Jordane Gabriella

      Muito obrigada, Oscar!!

  • Vinicius

    Seja bem-vinda a realidade de um país que compra tecnologia (em dólar) e converte para soluções de uma indústria que precisa urgentemente de criatividade para sair da crise que o país se encontra! Hoje tenho que estudar sobre linguagem C, bare-metal, FreeRTOS, C#, Java Desktop, Aplicações mobile… Fiquei feliz de ler sobre sua matéria, seria épico conversar com uma mulher sobre esse tipo de assunto… A maneira de analisar pode ser bem diferente, o que intensifica ainda mais a diversidade de pensamentos! Parabéns and GO GO GO! ;D

    • Jordane Gabriella

      Olá, Vinicius, boa tarde. Muito obrigada por ler a matéria, que bom que gostou. Infelizmente é o tipo de coisa que não tenho como não passar, mas tudo bem, cada dia é cada dia e espero encontrar forças para seguir em frente, hahaha. Adoro mobile!!! <3 só me procurar nas redes sociais que a gente conversa sobre esse assunto, haha. Abraços.

  • Euclides Rezende

    Olá Jordane. Não esquente a cabeça. Embora vc. valorize muito ter um “Diploma” (e por isso seja obrigada a conviver com “esses tipos”…), vá no seu ritmo, aprenda primeiro, e depois “corra atrás”. Eu não pude tirar curso superior, mas programei por mais de 30 anos.

    • Jordane Gabriella

      Oi, Euclides. Tudo bem?
      Eu também concordo com você que existe muitas pessoas hoje apenas com um papel na mão e que não sabem fazer porcaria nenhuma, no entanto, o mercado exige para validar meu conhecimento. :/
      Eu gosto de tentar aprender sozinha novas linguagens, é gratificante. Obrigada por suas palavras, guardarei comigo. 😀 😀 Abraços! 😀

  • Renato Tavares

    show, meu estado precisa de + makers de ambos os sexos

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