Garotas Makers II – Parte 4

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Garotas Makers II – Parte 4

Temos visto ao longo dessas histórias das garotas Makers uma forte influência e lembranças desde a infância. E hoje veremos a história de alguém que começou bem cedo a desenvolver seu lado maker!

Dayane Kelly Rodrigues da Silva tem 20 anos, mora em Recife-PE, cursa o 4º período em Engenharia da Computação no Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn-UFPE) e trabalha na empresa CESAR, na área de robótica.

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Figura 1 – Dayane Kelly (Fonte: Arquivo Pessoal Dayane Kelly)

Tudo deu início na sua infância por grande influência de seu pai que é Técnico em Eletrônica. Suas aulas do tema iniciaram-se em casa, tendo seu pai como professor e sua mãe como ‘companheira de classe’: “Minha lembrança “acadêmica” mais antiga data de quando eu tinha apenas 11 anos, época na qual meu pai me deu um “curso à distância” de eletrônica do Instituto Universal Brasileiro. Todas as noites, antes do jantar, ensinava a mim e a minha mãe (que solda tão bem quanto eu); era, com certeza, o momento mais esperado do dia para aquela criança que tanto gostava de tecnologia, mesmo sem entendê­-la bem.”

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Figura 2 – Dayane e seu pai (Fonte: Arquivo pessoal Dayane Kelly)

Iniciei o texto dizendo que Dayane começou cedo…sim, além de ter aulas na sua própria casa, ela foi admitida apenas com 13 anos no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), na modalidade Técnico integrado em Eletrônica. Lá, ela participou e desenvolveu projetos na área de soldagem de placas de Circuito Impresso, projetos de esquemas elétricos e layouts e também programação de microcontroladores com uso de linguagem Assembly.

Seu projeto final foi uma placa para amplificação de sinais para Instrumentação, orientado pelo prof Sérgio Paulo. Alunos da graduação do CIn-UFPE utilizaram esta placa para medições de potência no FPGA.

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Figura 3 – Turma do IFPE (Fonte: Arquivo pessoal Dayane Kelly)

Dayane fez seu estágio obrigatório do curso técnico no CESAR, onde experimentou a área de embarcados, se apaixonou e redescobriu suas motivações para aprender: “Nessa época, eu tinha pouca confiança para soldar, pois minhas habilidades eram limitadas;  não me sentia capacitada para trabalhar na área. Trabalhar com embarcados ajudou­-me a expandir meus conhecimentos como maker: Aprendi a lidar com a fabricação de placas de circuito impresso na  LPKF, desenvolvi minhas habilidades para desenhar  layouts  de  PCB’s  e   contribuí   com   o   que   foi   possível   em   projetos   que   envolviam hardware, sempre curiosa e buscando aprender mais”.

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Figura 4 – Dayane fabricando uma PCB (Fonte: Arquivo pessoal Dayane Kelly)

Um dos projetos que ela participou foi o Monitoramento de Irrigação de plantações que tinha como objetivo captar informações para o funcionamentos dos pivôs: seus sentidos de rotação, onde estão localizados e a pressão de água fornecida. Estas informações eram transmitidas para o proprietário da fazenda via web. Dayane participou da construção e manutenção dos hardwares deste projeto.

Na mesma época que Dayane desenvolveu o projeto de irrigação, dentro da empresa onde trabalha, surgiu a ideia de construir um robô, que inicialmente tirasse selfies com pessoas através de reconhecimento facial. Este robô, chamado I-Zak, fez participação na Campus Party Recife 2014 e conquistou o pessoal.

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Figura 5 – Dayane e o robô I-Zak versão 1.0 (Fonte: Arquivo pessoal Dayane Kelly)

Ela teve muita satisfação pessoal ao receber feedback das pessoas: “ Pela primeira vez, eu havia ajudado em algo que não envolvesse apenas eletrônica. Mesmo sem muita experiência na área, eu e os colegas do laboratório montamos as estruturas física e eletrônica do robô, bem como fizemos a concepção mecânica. A partir daí, ele foi sendo adaptado para uso doméstico.”

O CESAR fez uma parceria com a CIn-UFPE do qual surgiu o IZak, que é o atual robô bi-campeão latino-americano da RoboCup na Categoria @Home.

Influenciada pelos colegas de trabalho, Dayane optou por sua graduação na Engenharia de Computação, ao invés de Engenharia Eletrônica. Em seu primeiro período, participou de um projeto com carrinho seguidor de linha usando Arduino. O grupo teve problemas com relação ao sensor óptico: “Nosso grupo teve o azar de escolher um sensor óptico queimado; durante o feriadão do Carnaval, projetei e manufaturei um novo sensor. Utilizei até copinho de café coberto de fita isolante, para que o sensor não sofresse influência da luz do ambiente!”

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Figura 6 – Dayane e seus colegas de grupo na faculdade, com seu robô (Fonte: Arquivo pessoal Dayane Kelly)

Através de uma disciplina ministrada pelo prof. Cristiano Araújo, Dayane teve o primeiro contato com a CBL (Challenge Based Learning), através desta, descobriu sua paixão por educação. Nisto, ela desenvolveu pesquisas para metodologia de ensino que fossem criativas para facilitar o ensino-aprendizado de inovação e tecnologia. A partir de então, Dayane tornou-se monitora em sua faculdade: “…Desde   então,   sou   monitora   das   cadeiras   de   “Introdução  à Programação”   e “Infraestrutura de Software”, nas quais auxilio no aprendizado de lógica de programação em C; projeção de carrinhos seguidores de linha usando Galileu; e desenvolvimento de programas em modo   protegido   e   real   em  Assembly   x86.   Minha   missão de vida é ensinar, principalmente eletrônica!”.

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Figura  7 – Dayane com colegas de projeto da disciplina dada pelo prof Cristiano Araújo, da UFPE (Fonte: Arquivo Pessoal Dayane Kelly)

No ano de 2015, Dayane afastou-se temporariamente da empresa CESAR devido à sua participação em um projeto de desenvolvimento de apps para iOS no CIn-UFPE: “Foi um crescimento incrível do ponto de vista profissional! Eu sempre trabalhara com hardware, mas, durante o projeto, precisei aprender a dominar softwares, o que me torna uma profissional de TI mais completa; ademais, passei a melhor compreender as questões relativas a administração de pessoal, gestão de projetos e planejamento”.

Dentre alguns dos projetos desenvolvidos, está um jogo infantil que tem por objetivo tratar de ética e moral com foco para crianças de 7 a 9 anos, chamado “Aventuras de Alex”. Também fez o app BotsLeague para o Trabalho de Conclusão de Curso em Design de Kelle Lima, também da UFPE.

Há pouco tempo, Dayane retomou suas atividades no CESAR, com participação em projetos de Robótica. O robô IZak, que está em sua versão 2.0 (vide figura 8), está sendo preparado para uma competição mundial que será realizada na Alemanha.

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Figura 8 – Dayane e o Robô IZak 2.0 (Fonte: Arquivo Pessoal Dayane Kelly)

Hoje vimos a grande influência e impacto na carreira devido ao incentivo dos pais. Desde muito cedo, as habilidades ensinadas por seu pai fizeram de Dayane uma profissional de destaque na área acadêmica e na empresa que trabalha. Talvez, você gostaria de estar na área tecnológica e maker, mas ainda tem receio, seja você mulher ou homem. Dayane deixa um recadinho: “Experimente! É importante arriscar, tentar, testar. Há riscos, problemas, dificuldades mas isso acontece em todas as áreas da vida. Descubra-se. Aprenda sobre a área mas principalmente quem você pode ser como maker. E não há como descobrir quem você pode ser sem tentar. Faça isso por você”.

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Figura 9 – Carrinho Seguidor de linha (Fonte: Arquivo Pessoal Dayane Kelly)

Esperamos que a trajetória e mensagem deixadas por Dayane sejam inspiradoras para iniciar ou prosseguir em seu desenvolvimento na área Maker. Precisamos de homens e mulheres no Brasil dispostos a criar e desenvolver projetos voltados à tecnologia. Como Dayane, podemos fazer robôs com vários enfoques, desde a área acadêmica até entretenimento, projetar sistemas entre outros. E você? O que gostaria de desenvolver? Inspire-se, junte-se à Comunidade Maker! Faça você mesmo!

Em breve, novas histórias inspiradas na série Garotas Makers, aguardem! 🙂

By | 2017-01-27T23:08:02+00:00 Maio 10th, 2016|Artigos|0 Comments

About the Author:

Mestranda em Automação e Controle de Processos, Engenheira de Controle e Automação, Técnica em Automação Industrial, ambos pelo IFSP. Atualmente trabalha como Montadora na Tudela Indústria. Pesquisadora no LABORE (Laboratório de Robótica e Reabilitação do IFSP). Hobbista e Maker, se interessou por Arduino desde 2013, e realizou projetos na área de Wearables voltados para entretenimento. Já realizou palestras e mini cursos em eventos de IoT, Arduino e Tecnologia, no RJ, PE, SP, DF, RS, CE, SC e GO. Articulista do Portal Embarcados, redige artigos sobre Arduino e mulheres na tecnologia. Fã de Angry Birds :D

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