Educação Maker

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Educação Maker

Breve Introdução

Me senti muito honrado com o convite do Thiago para contribuir com o portal, e principalmente, com este tema que me cativa profundamente e acabou transformando minha carreira e vida pessoal (isso já daria uma história a parte).

Como um apaixonado pelo assunto tenho muitos aspectos e referências que gostaria de abordar e debater e acredito que aqui seja um ótimo canal: com pessoas ligadas em tecnologia, pessoas empreendedoras, pessoas fazedoras, pessoas abertas as mudanças e transformações!

Neste texto, queria fazer uma amarração, mesmo que um pouco mais superficial, mas que mostre meu ponto de vista, e que quero trazer para discussão.

O que é ser Maker?

No início deste século, começa a se organizar o Movimento Maker, uma extensão mais tecnológica da cultura Faça-Você-Mesmo. Inicialmente uma “brincadeira de adulto”, tem sua base na ideia de que pessoas comuns podem construir, consertar, modificar e fabricar os mais diversos tipos de objetos e projetos.

Existem autores que defendem que será uma nova revolução industrial, onde os produtos passam a serem “desenhados” pelos próprios consumidores, impulsionados pela popularização dos métodos de fabricação em baixa escala, como impressora 3D, CNC, cortadora laser, etc. Nos EUA estima-se que 57% dos adultos já são Makers.

No fundo o movimento vai muito além do simples desejo em fazer, é uma cultura, onde é importante: explorar (testar, errar, iterar, persistir e ter sucesso), buscar soluções criativas, reusar e compartilhar as conquistas e conhecimento. Existe o prazer da conquista e superação, todo mundo é capaz desde que itere o suficiente!

Mas Movimento Maker tem a ver com Educação?

Na verdade tem tudo a ver. O movimento Maker prega que pessoas comuns são capazes de criar através da exploração, no fundo são capazes de “construir” seu conhecimento. Pois é exatamente o que Jean Piaget, “pai do construtivismo” dizia na década de 1940.

Isso tudo não é novo, muitos pesquisadores, especialistas em uso de tecnologia na educação  vem lutando por estes princípios.

Seymour Papert na decada de 1960 criou a linguagem Logo com objetivos educacionais, adaptou os princípios de Piaget com o uso do computador como meio de construir o conhecimento. Na mesma década, nosso Paulo Freire, grande educador, acreditava que ler e escrever “empoderava” os cidadãos para se tornarem indivíduos ativos.

Mitchel Resnick, professor do MIT e discípulo de Papert, é defensor da aplicação do Movimento Maker na educação. Ele defende o ensino de programação para todos e critica fortemente a relação passiva – de usuários – dos jovens com a tecnologia, e faz o paralelo com Freire na alfabetização, de forma que os jovens devem ser capazes de se expressar pela tecnologia para serem cidadãos ativos.

O brasileiro Paulo Blikstein, professor na Universidade de Stanford tem feito um trabalho maravilhoso aplicando princípios Maker em escolas da periferia de São Paulo, entre outras iniciativas. De acordo com os estudos concluiu-se que colocando a “mão na massa” as crianças aprendem 30% mais.

E também…

Bom, aprender 30% mais! Precisa de mais? Eu acho que sim. Na verdade é Sir Ken Robinson grande estudioso e especialista em criatividade (e, sim, nomeado cavaleiro da coroa britânica por sua contribuição à educação) quem diz.

Resumindo de forma simplista, ele critica o sistema de ensino atual que industrializou a educação para formar profissionais para necessidade de mercado hoje, e não pessoas criativas, capazes de achar soluções para os desafios de amanhã. Voltarei a falar dele, e quem gosta do tema é leitura obrigatória.

Ele é tão enfático que afirma e mostra estudos que o sistema de ensino que penaliza o erro inibe a criatividade ou ao menos as ideias divergentes (ideias novas não necessariamente relevantes). A medida que a criança avança nos anos escolares menos ideias divergentes elas tem. E Pablo Picasso já dizia: “Todo mundo nasce artista, o desafio é manter-se artista”;

Mas ainda estamos falando de Maker?

Ao meu ver, este é o aspecto mais relevante do movimento Maker na Educação. Lembra que ele defende explorar, errar, persistir, prazer da conquista? Isso é o embrião da criatividade.

Gosto do termo “empoderar a criança”. Contaminá-la com o “vírus Maker” e fazê-la sentir-se capaz, que suas ideias tem valor e que sabe o caminho para concretizá-las: cheio de erros e superações.

Se realmente nascemos criativos então temos que agir o mais cedo possível e esta se tornou minha missão com a Little Maker. Empoderar as crianças o quanto antes, pois uma vez contaminada com o “vírus Maker” não deixa de ser Maker.

Não que melhorar o aprendizado em 30% seja menos importante, esta linha, também conhecida como STEAM (sigla em inglês Sciences, Technology, Engineering, Arts and Mathematics), tem crescido muito nos EUA e chamado um pouco de atenção por aqui também. Mas entendo que o aspecto do “Empoderamento” é muito mais relevante para a formação e tem sido menos discutido. Lembrando que as duas abordagens podem ocorrer juntas!

Tenho vivenciado isso no meu dia a dia. É realmente impressionante quando você percebe que a criança sentiu o prazer da conquista, sente-se segura que suas ideias tem valor e que pode ir além, são capazes de empreender, questionar, modificar, interagir com o mundo a sua volta. Estes são valores que se aplicam a qualquer profissão, não é um conhecimento técnico é uma perspectiva do mundo e futuro!

Saiba mais (de forma rápida):

Vídeo Mitch Resnick no TED: http://lt.mk/resnick

Vídeo Paulo Blikstein no TED: http://lt.mk/blik

Vídeo Sir Ken Robinson no TED: http://lt.mk/robinson

Diego Thuler

Engenheiro Eletricista, Maker e apaixonado por Educação

Little Maker (http://lt.mk)

By | 2016-02-03T21:19:06+00:00 fevereiro 3rd, 2016|Artigos, Sem categoria|0 Comments

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